A favor da adopção por parte de casais homossexuais
Até este fim-de-semana não conseguia optar por um lado nesta questão. Por manifesta ignorância dos argumentos dos dois lados.
Tive a oportunidade falar sobre este assunto e daí escolher o meu lado: estou a favor da adopção de crianças por parte de casais homossexuais.
Começando pelo argumento da actualidade. Portugal permite que casais de dois homens ou duas mulheres se casem, no registo público. Por outras palavras, o Estado português diz que casais hetero e homo são iguais aos olhos da lei. No entanto, logo depois diz que não são assim tão iguais. O casamento, sendo requisito de adopção, ou pelo menos contribui positivamente, não pode servir para um tipo de casamento e para outro não: afinal o casamento, enquanto instituição pública, agora é só uma.
De seguida, o argumento jurídico. Citando Adolfo Mesquita Nunes, aquando do seu voto a favor, ‘’A lei não confere (...) direito à adopção. Confere o direito a apresentar candidatura. Não concordo com a lei que impede casais homossexuais de se candidatarem. Tal como está, a lei presume (...) que a institucionalização é sempre (...) preferível à adopção por aqueles casais’’. Uma pequena grande nota a AMN, foi preciso força para assumir este lado no CDS, sabendo de antemão a quantidade de críticas a que ficou exposto.
Ao argumento moralista de certos sectores mais conservadores, perdão, retrógrados da sociedade não há muito para dizer. É fácil entender que adoptar uma criança é um acto de amor. Nenhuma criança ficará traumatizada por ter dois pais ou duas mães. No entanto, é difícil debater nesta área argumentativa pois os restantes interlocutores, ao usarem o argumento moralista, não devem aceitar o contraditório. Mais, o argumento de ‘’sou contra o casamento gay, logo sou contra a adopção’’: não consigo mesmo perceber onde os argumentos são os mesmos. Este último ponto leva ao próximo. Da estupidez dos argumentos.
Em relação ao argumento estúpido, como por exemplo, a promiscuidade dos homossexuais. Baseados na premissa que todos os homossexuais são promíscuos, os casais também teriam que o ser. Ora, primeiro é de um casal que estamos a falar. Um casal implica um certo grau de fidelidade, seja maior ou menor. E uma vez mais, adoptar uma criança é um acto de amor. Primeiro pelo(a) parceiro(a) e depois pela criança. Continuando no estúpido, há quem aponte a falta de figura paternal ou maternal, dependendo do género do casal. Pois, ainda bem que todas as crianças têm equilíbrio parental. Ainda bem que não há mães e pais solteiros e ainda bem que todos os pais e mães são bons só porque não são gay.
Do sacrifício de querer adoptar e não poder. De lutar por um direito, por uma liberdade. Este foi o argumento que me convenceu. Quando uma pessoa luta só por si, é certo que irá até certo ponto. Se lutar por uma causa superior a si, irá um bocado mais longe. Mas nada disto se compara a lutar por alguém que se ama. E dentro disto, lutar por alguém que se ama e não conhece é digno de muito respeito.
Posto isto, tenho o meu lado escolhido.
